Corajosos no impeachment de Dilma Rousseff, deputados agora planejam fugir do plenário para salvar Michel Temer

:: Viomundo em 18/06/2017 13:11 ::

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Carlos Marun, que golpeou Dilma “em nome da família”, agora organiza fuga

Aliados planejam esvaziar sessão na Câmara para salvar Temer

RANIER BRAGON, na Folha

Um dos planos traçados por aliados de Michel Temer para mantê-lo no cargo consiste no esvaziamento da sessão da Câmara dos Deputados que irá analisar a denúncia criminal contra o presidente.

A Procuradoria-Geral da República deve apresentar nos próximos dias a acusação formal contra o peemedebista em decorrência da delação dos executivos da JBS.

A Constituição estabelece que essa denúncia só pode ser transformada em processo no Supremo Tribunal Federal –com o consequente afastamento do presidente caso haja aprovação pelo plenário da Câmara, com o voto de pelo menos 342 de seus 513 integrantes.

Ou seja, Temer necessita ter ao menos 172 deputados ao seu lado, mas não necessariamente do voto desses parlamentares –a rigor, não precisa de nenhum.

É o lado contrário que tem a obrigação de reunir 342.

A votação da análise da denúncia se dará por meio de chamada nominal de cada um dos deputados, que irão declarar seus votos em um dos microfones do plenário.

Após a primeira rodada, a tradição manda que haja uma segunda chamada dos faltosos, mas isso não é obrigatório. As regras serão definidas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais aliados de Temer.

Um dos maiores temores dos governistas é o desgaste político e eleitoral de ir ao microfone do plenário da Câmara votar contra o prosseguimento das investigações.

Além de todas as suspeitas contra o presidente levantadas nos depoimentos capitaneados por Joesley Batista, pesa contra o peemedebista a péssima avaliação popular: de acordo com a última pesquisa do Datafolha, de abril, Temer contava com apenas 9% de aprovação das ruas.

Um dos planos de governistas é se ausentar na hora da votação e se fiar no hoje improvável cenário de oposição e dissidentes reunirem os 342 votos.

Estratégia essa que tende a murchar caso fique claro na percepção popular que a ausência é a mesma coisa de votar a favor de Temer.

Na época do impeachment de Dilma Rousseff, essa saída também foi pensada por apoiadores da petista, mas acabou naufragando diante da promessa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então presidente da Câmara e desafeto da presidente, de fazer sucessivas chamadas dos faltosos na sessão realizada em um domingo, com transmissão ao vivo para todo o país.

Governistas dizem contar hoje com cerca de 250 deputados para barrar a denúncia contra Temer, mas esse é um número oscilante.

“A chance de a oposição ter os 342 votos para aprovar a denúncia é a mesma que o Sargento Garcia tem de prender o Zorro, salvo haja algo novo, grave e comprovado contra o presidente”, disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais aliados do Planalto. “Confio no Temer, pode tirar a ressalva, a chance é a mesma de o sargento prender o Zorro”, se corrigiu, logo em seguida.

Ele diz que chega a ser aplaudido pela forma como tem defendido o presidente. “A forma como cada um vai se portar diante do microfone eu não sei, o que sei é que a oposição não terá votos para levar a frente uma denúncia frágil como essa.”

Abaixo, memórias da sessão infame: hoje ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE) comemora, ele que agora está sob investigação da Lava Jato por receber propinas; o presidiário Eduardo Cunha, que comandou o processo depois de financiar a eleição de sua bancada pessoal com dinheiro sujo da JBS; a deputada Raquel Muniz (PSB-MG), que citou o marido como exemplo de retidão administrativa na véspera dele ser preso por corrupção na prefeitura de Montes Claros (“O meu voto é para dizer que o Brasil tem jeito, e o Prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com a sua gestão”); o palhaço paraense Wladimir Costa (SD-PA), que teve o mandato cassado pelo TRE e já figurou em nossa galeria dos Hipócritas (“Qual o Brasil que você quer? Você quer o Brasil da sujeira, do roubo, dos escândalos, das prisões de parlamentares, deputados, senadores, grandes empresários? Ou você quer um Brasil decente, para nossas famílias, para nossos pais?”); Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson, acusada por Joesley Batista de ter vendido o partido a Aécio Neves nas eleições de 2014.

Zeca Ribeiro, Marcelo Camargo Nilson Bastian e Antonio Augusto, via Fotos Públicas; Jorge William, da agência O Globo

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