K. J. Arrow revolucionou a economia

:: Delfim Netto em 22/03/2017 04:10 ::

Deixou-nos, no mês de fevereiro, quem, na minha opinião, foi o mais completo economista da segunda metade do século 20, Kenneth Joseph Arrow (1921-2017). Leia mais (03/22/2017 – 02h00)

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Nenhum país cresceu apenas concedendo direitos

:: Delfim Netto em 15/03/2017 05:56 ::

A Constituição Federal de 1988 aponta para a construção de uma sociedade civilizada, mas contém ambiguidades que estão na base da terrível judicialização que está contribuindo fortemente para a confusão instalada na República. Tomemos o capítulo dois (dos Direitos Sociais, artigo sexto, que já sofreu duas emendas). Ele afirma: Leia mais (03/15/2017 – 02h00)

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Aço chinês expõe desafios da indústria siderúrgica no mundo

:: Delfim Netto em 08/03/2017 05:07 ::

Diante da ilusão criada pelo movimento de globalização, que anunciava a morte dos Estados e a perspectiva da paz universal, a Grã-Bretanha permitiu a migração de toda a sua indústria siderúrgica. Hoje, diante dos fatos, deve estar arrependida. Nada está mais longe do que a “paz universal”! Leia mais (03/08/2017 – 02h00)

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Alguns investimentos são simples transferências de propriedade

:: Delfim Netto em 22/02/2017 03:44 ::


Nestes tempos da “pós-verdade” e das “verdades alternativas”, as palavras assumem novos significados. Temo que um dos mais importantes seja confundir “entrada de capital externo” com “investimento”.
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Exploração da natureza é fato político

:: Delfim Netto em 15/02/2017 03:07 ::


Há nas ciências sociais uma curiosa tendência. Criam-se “conceitos” e lhes atribuem vida, desejos e até atividade física. A ideia de “capitalismo” talvez seja das mais interessantes, porque se trata de um fenômeno extremamente complexo e multifário que mereceu, desde o século 19, a atenção de dezenas dos mais poderosos pensadores da organização da sociedade humana. A ele se atribuíram as mais excelsas virtudes e os mais terríveis vícios, como foi o caso de Karl Marx, que explorou a sua essência.
Leia mais (02/15/2017 – 02h00)


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Fim do capitalismo não tornaria o homem mais ‘humano’ – Antonio Delfim Netto

Antonio Delfim Netto – 08/02/2017 04:23


Tempos estranhos estes? Não! Tempos normais, quando vemos o homem como ele é, despido da romântica “humanidade” moral que lhe atribuímos. Um animal territorial, dotado pela evolução biológica de um terrível e perigoso instrumento — a sua inteligência. Com ela submeteu a natureza que o criou e inventou sofisticadas “teorias” para separar-se em tribos que se veem com desconfiança dentro e nos limites do “território” que ocupam e estabeleceram como “seu”! Esse sentimento é tão poderoso que, frequentemente, ele sacrifica a única coisa que efetivamente dispõe — a própria vida — para defender-se da cobiça real ou inventada de outras tribos internas ou externas.
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Na melhor das hipóteses, vem por aí uma enorme confusão internacional – Antonio Delfim Netto

Opinião:

O “free rider” é um elegante nome inglês de difícil tradução. Talvez a coisa mais próxima seja “aproveitador, oportunista”. Para defini-lo, é preciso, antes, entender o conceito de “bem público”, isto é, um bem ou serviço do qual, por motivos físicos ou práticos, ninguém pode ser excluído (por exemplo, a segurança externa do país) e pelo qual o beneficiário (e aproveitador) se recusa a pagar (sonegando impostos quando tem condições de materialmente fazê-lo).

Ele sabe que nele será, necessariamente, incluído: se o inimigo externo perder, ele estará livre para apropriar-se dos benefícios da vitória sem ter pago nada; se vencer, terá perdido a sua liberdade, exatamente como todos os outros, mas não terá “perdido” nada mais do que eles.

Todos nós temos, na prática, experiências desagradáveis com relação a esse fenômeno, obviamente em situações triviais. Alguns já tiveram a desilusão de tentar levar a eletricidade ao seu sitiozinho localizado a 1.000 metros da rede, que atravessará 10 ou 15 propriedades diferentes e que precisa ser paga pelos usuários.

Tentaram a cooperação de todos, mas se surpreenderam com a de um “bom amigo” que está no meio do caminho e que se recusa a cooperar (mesmo em condições materiais de fazê-lo) porque sabe que, se os outros fizerem, dela não poderá ser excluído.

Em São Paulo, por exemplo, num modesto prédio de 20 apartamentos, todos têm a experiência da falta de luz duas vezes por semana (e até nos fins de semana), quando nem o elevador de serviços funciona.

Pois bem, um potencial beneficiário, do oitavo andar, se recusa a colaborar, mesmo tendo capacidade para fazê-lo, com a compra de um pequeno gerador, pago em 24 meses. Ele sabe que, se os outros aceitarem a “vaquinha”, será beneficiado de “graça”.

O “free rider” existe no nível internacional. Em condições normais de pressão e temperatura, o “free rider” (o país) se aproveita de sua situação estratégica para transferir os custos dos serviços de segurança nacional de que necessita para outro que tem a disposição de pagá-lo, pelas vantagens geopolíticas que vai receber para manter a liderança mundial.

A situação fica instável quando os benefícios concedidos parecem ter ultrapassado os benefícios recebidos pelo doador empobrecido. Qualquer “semelhança” entre essa situação e as relações dos EUA com a Otan, com o Japão ou com a Coreia do Sul é, obviamente, mera “coincidência”.

Suspeito que a “era Trump” seja apenas o início da manifestação de que a “machtpolitik” do fugaz império americano atravessou o cabo da Boa Esperança. Na melhor das hipóteses, vem por aí uma enorme confusão internacional.


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Qualquer previsão sobre o crescimento do PIB é temerária – Antonio Delfim Netto

Opinião:

A situação social e econômica no mundo e no Brasil atingiu um tal nível de incerteza que qualquer previsão sobre o crescimento do PIB em 2017 é temerária, pois envolve hipóteses implícitas, além das explícitas de eventos internos e externos.

Apesar disso todos precisamos de um “norte” para acomodar o nosso comportamento cotidiano. É impossível viver sem uma perspectiva, seja ela boa ou má. Fazer “previsões” é uma necessidade psicológica. Não é uma aventura mística capaz de trazer para o presente o futuro opaco, sempre aberto às mais surpreendentes possibilidades que, infelizmente, só vemos quando já aconteceram.

Olhado o universo dos “especialistas”, que têm de tomar risco por dever profissional, verificamos um espectro muito amplo de “expectativas” para o crescimento do PIB neste ano. O problema é que elas não são independentes (todos se cuidam para “errar juntos” e tornar o seu erro trivial).

Pior, elas não são —a rigor— uma distribuição estocástica da qual se pode extrair os parâmetros de localização (média, mediana, moda) ou de dispersão (desvio-padrão) que façam sentido estatístico. Obviamente, nada impede que o computador as considere como tal e calcule, mecanicamente, tais parâmetros. Ele não tem remorso ou constrangimento.

Tomemos como exemplo, a “previsão” proposta pela sofisticada equipe econômica do Banco Itaú (“Macro Visão”, 01/12/2016) e ampliada na magnífica entrevista do seu competente economista-chefe, Mario Mesquita (“Valor”, 22/12/2016, A12).

Feita com cuidado e apoiada nas melhores informações (políticas e econômicas), sugere que o PIB, em 2017, teria condições objetivas de crescer 1,5%: 0,6% pela variação da demanda interna e 0,9% pela regularização dos estoques (uma variável frequentemente esquecida).

Se concretizada, Mesquita vê a possibilidade de um crescimento de 4% em 2018. É bom lembrar que o crescimento do PIB médio de 1,5% em 2017 com relação a 2016 é equivalente a uma expansão do PIB, dentro de 2017, da ordem de 2,8% e de 3,8% entre o 4º trimestre de 2017 com relação ao de 2016!

O que se viu até agora com relação a elas foi apenas que são “muito otimistas”, mas nenhuma crítica desconstruiu as suas hipóteses.

Revelam, em geral, uma reação psicológica idiossincrática. É evidente que, pela seriedade, pela qualidade e pelo cuidado dessas “previsões”, elas têm pouco a ver com a tal “distribuição” das previsões “médias” do “mercado”, que andam às voltas de 0,2% para 2017 e 1,5% para 2018, ainda que possam estar nela computadas.


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Há boa probabilidade de que voltemos à meta de inflação em 2017 – Antonio Delfim Netto

O ano de 2016 terminou com uma boa notícia. A despeito de todas as dificuldades políticas e econômicas, logramos chegar com uma taxa de inflação acumulada em 12 meses (IPCA) de 6,3%, praticamente no limite superior da “meta” de inflação (de 4,5% mais ou menos 2%). Não é pouca coisa.

Ela caiu de 10,7%, em dezembro de 2015, para 6,3% em dezembro de 2016. Em matéria de inflação, o ano foi muito interessante.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses resistiu bravamente ao afrouxamento da demanda global, permanecendo em torno de 9% até agosto, enquanto o PIB caía 4,5% e o desemprego aumentava 3% entre setembro de 2015 e o seu homólogo de 2016. Em agosto, a inflação ainda era de 9%. A partir daí caiu para 6,3% em dezembro, cedendo 2,7 pontos percentuais, cerca de 30%, em apenas quatro meses.

O componente principal dessa redução foi a queda de preços dos produtos que compõem o grupo “alimentação e bebidas”, incluídos no IPCA e que têm um peso de cerca de 26% em seu cálculo.

Ele caiu, no índice acumulado em 12 meses, de 13,9%, em agosto, para 8,6% em dezembro, uma queda de 5,3 pontos que, multiplicada por seu peso no índice (26%), resulta em 1,4, ou seja, praticamente a metade da redução da taxa de inflação do período.

Esse fato tem diversas explicações. Os propensos a aceitar o programa do governo Temer creem que se deva a uma mudança nas expectativas de inflação, criada pela firmeza do Banco Central, que reafirmou que sua única missão é conduzir a taxa de inflação à meta de 4,5%. Os que o rejeitam dizem que ela foi, apenas, o resultado da tremenda recessão, causada por Temer, que estamos vivendo. A explicação verdadeira é uma combinação dessas duas causas.

É importante reconhecer que boa parte do aumento de preço dos alimentos foi resultado da péssima safra de 2015/2016 que, devido a efeitos climáticos, foi 11% menor do que a de 2014/2015. Os preços só começaram a cair quando ela já estava colhida, isto é, quando não havia mais razão para os agentes econômicos reterem os estoques e especularem nos preços.

Isso sugere um efeito muito positivo sobre a continuidade da queda da inflação. As previsões de crescimento da safra 2016/2017 são que ela será maior (se as condições climáticas continuarem “normais”): qualquer coisa como 14% (arroz, 10%, feijão, 24%, milho, 27%, e soja, 9%).

Mesmo que haja uma recuperação da atividade de 1% a 2%, há uma boa probabilidade de que voltemos à meta de inflação em 2017, o que abre um espaço para a redução da taxa de juros real, com todas as suas consequências positivas para o avanço do equilíbrio fiscal.

Inflação no ano – Índice em 2016 ficou em 6,29%


Fonte: Opinião

Opinião: Pode ser útil um ‘concílio’ entre os presidentes dos Poderes – Antonio Delfim Netto

O ano de 2017 não está dado. Vai ser o que formos capazes de fazer dele, sob as condições objetivas, sociais e políticas, que nos limitam. Temos escolhas.

Podemos curtir mais um ano de luto: continuar a carpir pela perda de uma política honesta, generosa, doentiamente voluntarista e inconformada com a aritmética e seguir atribuindo-a a um “golpe”! Ou podemos recuperar o senso de realidade e trabalhar para que a correção de rumos se faça com justiça e razoabilidade.

Uma miopia ideológica impede que parte da nossa sociedade reconheça que a Federação (a União e os entes federados) faliu pela inépcia do Poder Executivo. O enfraquecimento dele, aliás, abriu espaço para uma disputa com o Legislativo e com o Judiciário, que buscam mais poder.

Um dos mais graves obstáculos para o bom funcionamento do sistema produtivo nacional é a reconhecida insegurança jurídica, com a péssima qualidade de nossas leis.

Elas primam pela dubiedade, resultado de acordos “necessários” para a sua aprovação no Congresso para acomodar interesses frequentemente pouco republicanos. Com a perda de protagonismo de Dilma Rousseff, tudo foi judicializado!

Neste início de ano seria interessante tentar pôr um pouco de ordem na casa. Talvez fosse útil, por exemplo, um “concílio” (pelo caráter quase religioso) dos presidentes dos Poderes da República, para acomodar cada um, dentro do “livrinho”.

Devem resignar-se: 1º) a incorporar que são independentes mas devem ser harmônicos e devem controlar-se, mutuamente, para coibir mesmo o menor abuso de poder e 2º) aceitar que todos, no final, serão regulados pelas decisões do Supremo Tribunal Federal.

Foi esta corte que, na prática, a Constituição de 1988 sacralizou! Ela quer que o Supremo seja o último garantidor da sua própria execução, das liberdades dos cidadãos e da harmonia e equilíbrio entre as instituições.

É tão sagrado que os constituintes, na falta de uma solução divina, conformaram-se em dar-lhe o direito, irrecorrível, de errar por último, mas isso não inclui a licença para “criar” moeda ou “anular” contratos perfeitos e acabados entre os entes federados.

Não será demais, portanto, exigir de cada dos seus membros, sob quem repousa 1/11 das esperanças da sociedade brasileira, que suporte, introjete e se comporte à altura do honroso e irrevogável compromisso que assumiu com ela.

Quanto ao mais, em 2017 o melhor é ficar com Michel Temer e exigir que ele insista nas reformas estruturais que facilitarão a vida do poder incumbente que nós elegeremos em 2018.


Fonte: Opinião