Brasil precisa entender a China atual

:: Ronaldo Lemos em 20/03/2017 03:40 ::

Se tem uma coisa que quem trabalha com política pública no Brasil precisa fazer é parar de se informar sobre a China a partir da perspectiva da imprensa norte-americana. O único jeito de entender o país é vendo de perto como ele funciona. Em outras palavras, é preciso “guanxi”, termo que indica o costume chinês de só confiar em uma pessoa depois de ter tido um encontro pessoal com ela. Leia mais (03/20/2017 – 02h00)

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Política usa redes sociais para alimentar neuroses

:: Ronaldo Lemos em 13/03/2017 02:11 ::

Em 2013, um pesquisador da Universidade de Cambridge chamado Michal Kosinski escreveu um estudo seminal. Ele demonstrou que era possível prever a personalidade de uma pessoa com base nas suas atividades na internet, como “likes” em redes sociais. Leia mais (03/13/2017 – 02h00)

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Decepção com influenciadores é questão de tempo

:: Ronaldo Lemos em 06/03/2017 04:48 ::

Converse com qualquer marqueteiro e há grandes chances de você ouvir a palavra “influenciador” em algum momento. Em geral ela se refere a algum tipo de celebridade da internet capaz de modificar a opinião alheia, levando a pessoa a comprar algo, mudar um comportamento ou até sua visão sobre algum assunto. Até o governo federal foi recentemente flagrado contratando o serviço de “influenciadores” no YouTube para elogiarem mudanças promovidas no ensino médio. Leia mais (03/06/2017 – 02h00)

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‘Velocidade com que consumimos informação começa a ficar lenta’

:: Ronaldo Lemos em 27/02/2017 03:19 ::

No dia 12, a popular série “The Walking Dead” voltou ao ar com episódios inéditos. Para atiçar os fãs, a Fox resolver fazer uma das experiências mais curiosas da história recente da televisão. O canal decidiu exibir duas temporadas e meia da série em 24 horas. Com um pequeno detalhe: o tempo de todos os episódios somados dá mais de 34 horas. Como resolver? Acelerando em 30% a velocidade de transmissão. Desse modo foi possível “comprimir” mais conteúdo no mesmo espaço de tempo. Leia mais (02/27/2017 – 02h00)

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Proposta de Doria de vender os dados do Bilhete Único é ilegal

:: Ronaldo Lemos em 20/02/2017 03:44 ::


A prefeitura de São Paulo lançou na semana passada um vídeo para promover “o maior programa de privatização da história”. O vídeo, em inglês, oferece uma série de bens da cidade para investidores estrangeiros. Na lista estão o parque do Ibirapuera, o estádio do Pacaembu e o Mercado Municipal, entre outros.
Leia mais (02/20/2017 – 02h00)


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‘Inteligência’ de ‘smart cities’ precisa se distribuir entre seus cidadãos

:: Ronaldo Lemos em 13/02/2017 03:08 ::


Uma das ideias mais influentes dos últimos anos é o conceito de “cidades inteligentes” ou “smart cities”. Por ele, as cidades ficarão cada vez mais conectadas e passarão a usar a internet e outras tecnologias para administrar escolas, iluminação pública, transporte, hospitais, tratamento de água, coleta de lixo, segurança pública e outras atividades.
Leia mais (02/13/2017 – 02h00)


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Ninguém sabe como funciona o algortimo do STF – Ronaldo Lemos

[ Opinião ]

Em 1999, um professor da Universidade Harvard, Lawrence Lessig, um caro amigo, lançou o livro que é considerado pioneiro no estudo do direito aplicado à internet (chamado “O Código e Outras Leis do Ciberespaço”). Nele foi cunhada uma famosa frase que diz que “o código é a lei”.

Lessig chamava a atenção para o fato de que programas de computador (“códigos”) são cada vez mais responsáveis por embutir neles regras que regulam o destino de milhões de pessoas, todos os dias.

Basta olhar para o sorteio eletrônico do ministro Edson Fachin como novo relator da Lava Jato no Supremo para ver que Lessig tinha razão. O caminho para a escolha de qual ministro do STF será responsável por um processo é definido por um programa de computador que opera com base em algoritmo. Só que há um problema: ninguém sabe como esse algoritmo funciona.

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Ensinar ‘bom senso’ ou ‘ponderação’ é desafio da inteligência artificial – Ronaldo Lemos

Opinião:

A inteligência artificial já está entre nós. Muita gente ainda não se dá conta, mas aos poucos ela já aparece na vida cotidiana. Um exemplo são os aplicativos que reconhecem “linguagem natural”. Por eles conversamos com a máquina como falamos com outras pessoas.

E a máquina responde.

Outro componente cada vez mais visível é a análise de imagens. Há serviços de hospedagem de fotos capazes de classificar automaticamente as imagens por seu conteúdo (paisagem, grupos de pessoas, objetos etc.).

Esse tipo de análise identifica até mesmo conteúdo pornográfico, sem a necessidade de intervenção humana. Por meio do chamado “aprendizado de máquina”, o computador “enxerga” o mundo e distingue o que há nele.

Outra aplicação recente são os “chatbots”, aplicativos que conversam com os usuários e desempenham tarefas.

Em breve, será possível mandar uma mensagem de texto ou voz para seu “assistente virtual” reservar uma mesa em um restaurante, emitir uma passagem aérea ou entregar um “bom vinho” na sua casa (o próprio assistente decidirá o que é “bom” para você).

Em suma, estamos em um processo acelerado de “cognificação”. Estamos adicionando “inteligência” às aplicações de internet e também aos objetos físicos (como os carros conectados e a chamada “internet das coisas”).

Como toda nova tecnologia, a inteligência artificial traz desafios. Em um workshop que conduzi na Universidade Columbia, identificamos alguns.

O primeiro é a possível redução de empregos. Dois professores de Oxford (Frey e Osborne) publicaram estudo apontando que 47% dos empregos nos EUA vão desaparecer em razão da automação nas próximas duas décadas (e não haverá muro que possa mudar essa situação).

Outro desafio é assegurar que a inteligência artificial seja utilizada em benefício da humanidade, e não contra ela. Essa preocupação levou nomes de peso, como Stephen Hawking, a assinar uma carta aberta em defesa de um uso responsável e ético da inteligência artificial.

Há também pontos cegos na tecnologia. Um estudo recente mostrou que uma aplicação de reconhecimento facial foi incapaz de identificar rostos de afrodescendentes.

A razão alegada foi que os engenheiros que desenvolveram a tecnologia utilizaram predominantemente imagens de brancos para alimentar a base de dados da aplicação, tornando-a virtualmente inútil para boa parte da população global.

Outra preocupação crucial é a moralidade. Como ensinar “bom senso” ou “ponderação” para uma máquina? Por exemplo, nos carros que se autodirigem, se um acidente é inevitável, quem a máquina deverá tentar salvar? O passageiro do carro ou dez crianças que atravessam a rua naquele momento?

São dilemas cujas variações são infinitas e precisarão ser enfrentados. Na minha opinião, o melhor caminho para isso é fazer avançar uma outra tecnologia, só que nesse caso milenar: o direito.

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JÁ ERA Grafite

JÁ É Cinza

JÁ VEM Picho


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Quem tem medo do enxame de drones? – Ronaldo Lemos

Opinião:

Em 1942, em meio ao desespero da Segunda Guerra, um dentista chamado Lytle Adams convenceu o presidente Roosevelt a desenvolver um novo tipo de arma. Sua ideia era pegar morcegos de um tipo comum nas cavernas do Novo México e fazer com que cada um deles fosse equipado com uma bomba incendiária.

A partir daí os morcegos seriam soltos por um bombardeio americano voando em baixa altitude e se espalhariam pelos céus do Japão de forma aleatória, incendiando o maior número possível das casas típicas do país, construídas com papel e bambu.

A ideia foi concretizada (principalmente pelo fato de o dentista ser amigo de Eleanor Roosevelt). Um grande número de morcegos foi capturado e um tipo de bomba de 28 g foi desenvolvida para ser grampeada nos animais. Foram gastos US$ 2 milhões na empreitada, e mais de 6.000 morcegos foram capturados.

Só que o experimento provou-se um desastre. As bombas não funcionavam, ou pior, os morcegos saíam do controle e incendiaram várias estruturas militares dos EUA, incluindo um aeroporto. Essa história pitoresca mostra que o desejo de matar pelo ar, por meio de meios autônomos, vem de longe.

Corte para 2017. Na semana passada, o Departamento de Defesa dos EUA divulgou o primeiro vídeo do uso militar de enxames de drones autônomos.

Um caça F-18 lançou com sucesso 104 drones chamados Perdix a mais de 740 km/h (curiosamente, cada drone é exatamente o tamanho de um morcego). Imediatamente esses 104 aparelhos foram capazes de se reagrupar. Cada um atua como unidade autônoma, capaz de atualizar seu plano de voo de acordo com as circunstâncias reais que encontra. Isso leva em consideração o ambiente, as interações com outros drones, obstáculos e a missão. De outra forma seria impossível controlar 104 objetos simultaneamente.

Tal como os morcegos, cada drone pode ser equipado com armamentos, só que muito mais letais do que bombas incendiárias. São também capazes de receber ordens remotas. Por exemplo, o vídeo divulgado mostra imagens impressionantes, como o enxame assumindo as mais diversas formas tridimensionais e cercando um alvo sob todos os ângulos.

O Perdix foi desenvolvido por um estudante do MIT, à época com pouco mais de 20 anos. Agora é uma das principais tecnologias militares dos EUA. Quem escutou o som do enxame descreveu a experiência
como “aterrorizante”.

Como toda a tecnologia militar, a tendência é que com o passar do tempo ela se massifique, tornando-se acessível também ao setor privado ou indivíduos. O avanço desse conceito é capaz de produzir mudanças profundas na forma como pensamos a guerra (que fica ainda mais parecida com um videogame) ou mesmo a segurança nas cidades. É mais um exemplo do admirável mundo novo que já habitamos. O dentista Adams estaria se sentindo parcialmente vingado de sua derrota.

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JÁ ERA Táxis e ônibus só como concessões públicas

JÁ É Aplicativos de carona ou de compartilhamento de veículos

JÁ VEM Aplicativos de compartilhamento de ônibus


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Opinião: O mico da cibersegurança – Ronaldo Lemos

Na semana passada, ocorreu um episódio revelador no país. Uma conta no Twitter administrada pelo governo federal publicou “casualmente” na internet uma planilha contendo a senha de praticamente todos os canais de comunicação oficiais da Presidência da República na internet.

Uma das senhas usadas era a expressão “planaltodotemer2016”, que dava acesso à página do Facebook do Planalto. Ao lado dela havia uma instrução grafada em maiúsculas com letras vermelhas: “NÃO TROCAR A SENHA NUNCA”.

Conte essa história a qualquer especialista em segurança e ela irá se contorcer. Primeiro porque a segurança de uma senha é medida pelo conceito de “entropia”. Quanto mais aleatório for cada um de seus caracteres, mais forte ela será.

Em outras palavras, a regra geral é que, quanto mais “lembrável” for uma senha, mais insegura ela será (um exemplo de senha minimamente segura seria Zm1,*9/>”wk!; [Z>]>1S&/=2]F). Senhas de órgãos governamentais devem ser administradas de forma profissionalizada.

Há diversas estratégias para fazer isso, inclusive adotar “chaveiros criptográficos” de acesso restrito, que trocam a senha automaticamente todos os dias (ou mais de uma vez por dia). Exatamente ao contrário da instrução grifada no documento publicado.

O episódio acima é revelador porque demonstra que esse é um tema geopolítico essencial à deriva no país: a cibersegurança. Não é um tema qualquer. Basta acompanhar minimamente o debate político nos EUA para ver que ele está tomado por questões dessa natureza.

Na campanha eleitoral, Hillary Clinton teve sua credibilidade abalada justamente por não adotar padrões mínimos de segurança para seus e-mails. Ela usava contas pessoais, em vez de recorrer a contas governamentais, que são monitoradas e protegidas contra espionagem.

Mais recentemente, o debate nos EUA foi ocupado por alegações de que a Rússia teria interferido, por meio da internet, no resultado das eleições norte-americanas. Isso teria ocorrido tanto por meio da invasão de computadores do Partido Democrata (com subsequente vazamento de dados) quanto através de outras formas manipulação da opinião pública pela rede.

Em síntese, nenhum país mais pode desprezar o tema da cibersegurança, como faz o Brasil. Tratar dele é requisito para assegurar um mínimo de soberania no território digital. Apesar de o país ter esforços importantes nesse campo realizados pelas Forças Armadas, na administração pública esse é um tema inexistente. É comum ver membros do alto escalão de todos os poderes usando e-mails pessoais.

Precisamos parar de passar vergonha nessa área. É essencial a criação de um marco mínimo que trate de cibersegurança na administração pública. Está aí uma boa instrução para ser escrita em vermelho com letras maiúsculas.

JÁ ERA Cibersegurança e política em campos distintos

JÁ É Cibersegurança tornando-se um dos principais temas políticos do mundo contemporâneo

JÁ VEM Vulnerabilidade cada vez maior do Brasil a ataques digitais internos e externos


Fonte: Opinião